quinta-feira, 6 de outubro de 2011

EAD no Brasil: Solução ou Problema?



O computador e a internet são elementos fundamentais para consolidar o EAD no Brasil. Nos últimos anos cresceu o número de aquisições de computadores no País, porém esse aumento não é significativo se comparado aos demais países, especialmente EUA. Segundo, dados da PNAD -Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios,2009 aponta que 34,7% dos domicílios brasileiros têm computador e a internet chega a 27,4% dos lares. Destes que tem acesso, 68% utilizam banda larga, 13% usam internet discada e 10% se conectam por banda larga móvel, como o 3G. Apesar do avanço da banda larga em 2009, ainda é expressivo o número de domicílios brasileiros que têm computador, mas não acesso à internet. O Brasil possui serviço de telecomunicação (internet banda larga, telefonia fixa e móvel) um dos mais caros do mundo e o preço pago não condiz com a qualidade dos serviços prestados.

Ao contrário do que muitos pensam a modalidade Educação a Distância –EAD não é uma novidade no Brasil. O rádio, a TV e o material impresso foram ferramentas aplicadas para levar o conhecimento há muitas pessoas. Dentre os projetos mais conhecidos estão: Instituto Universal Brasileiro(cursos profissionalizantes por correspondência), Universidade do ar em São Paulo (curso radiofônicos) e teleducação(telecurso). No passado esses métodos de ensino não exigiam escolaridade anterior. Eram usados por pessoas com baixo grau de instrução para iniciarem cursos técnicos profissionalizantes. Atualmente, com o avanço das tecnologias de informação, o computador uniu som, texto e imagem permitindo o acesso ao conhecimento sem fronteiras e rápido. Diante desse contexto, o EAD tem sido alvo de polêmicas e discussão quanto ao uso para ampliar o acesso à educação.

Sem dúvida, a internet promoveu profundamente uma revolução na comunicação modificando as relações sociais, quanto ao uso e recebimento de informação. O movimento acelerado de produção e divulgação de conhecimento e informação está moldando a sociedade provocando mudanças na maneira de pensar, interpretar o mundo, conviver, estabelecer objetivos, padrões e estilos de vida.

A grande discussão e polêmica dos cursos oferecidos, refere-se a qualidade e eficácia da modalidade como instrumento capaz de educar e formar pessoas. O EAD no Brasil sempre esteve vinculado ao ensino técnico. Desde a década de 40 com o Instituto Monitor e o Instituto Universal Brasileiro passando ao ensino de adultos, os antigos supletivos como os Telecursos. O preconceito ainda resiste, principalmente quando se trata em ofertar ensino superior, através dessa modalidade. O EAD é uma modalidade alternativa de ensino que tem como objetivo garantir o acesso ao ensino superior à população excluída do processo educacional.

 O perfil do público  são pessoas na faixa etária de 25-45 anos que por motivos econômicos e/ou exigência do mercado de trabalho só agora podem fazer uma graduação e/ou especialização. O aumento da procura por cursos a distância se dá pelas facilidades que esse tipo de ensino pode oferecer tais como: estudar sem sair de casa, flexibilidade de horários e acesso rápido ao conhecimento a qualquer hora e lugar. Essas facilidades são confundidas com a qualidade e eficácia dos cursos. As pessoas que se prestam a encarar um curso online devem estar convictas que podem administrar bem o tempo e que possuem  perfil dinâmico, independente e disciplinado. Por mais que os cursos ofereçam suporte de professores, é preciso ter em mente que esse tipo de método exige que o aluno seja autodidata. O aluno é quem comanda seu ensino e necessidade. Ele aprende e/ou escolhe o que deseja ler e acessar, de acordo com suas necessidades e interesses. A autodisciplina e autonomia deve ser inerente ao aluno e antecede a qualquer tipo de sistema educacional, seja o tradicional ou EAD. Talvez, as instituições de ensino não tenham se dado conta que não há como treinar estudantes a adquirem o hábito de terem autodisciplina e autonomia em seus estudos. Se as escolas públicas/privadas de ensino médio e fundamental não desenvolveram a mentalidade nos alunos da importância da autodisciplina e autonomia nos estudos fica difícil exigir aos estudantes adultos universitários esse hábito. A busca pelo conhecimento deve ser inerente ao aluno, pois o método de ensino exige que o aluno construa seu conhecimento. Não são todos  que se adaptam a esse conceito de ensinar/aprender, pois o brasileiro ainda está preso ao sistema tradicional de ensino, onde o professor apenas transmite o contéudo.

O histórico de política educacional do Brasil é diferente dos demais países e essa cultura anterior está presente no EAD. Alguns dos problemas existentes no EAD não tem nada a ver com tecnologias, corpo docente, instituição, AVA-Ambiente Virtual de Aprendizagem, etc está na base da formação educacional do aluno. È essa base anterior do aluno quem vai definir se o curso superior terá qualidade ou não. Seja no ensino superior presencial ou à distância público ou privado é importante uma boa base de formação educacional para as universidades formarem bons profissionais. Nos EUA os empregadores valorizam os empregados que fazem cursos à distância. Para a mentalidade dos americanos qualquer pessoa que se disponha a aproveitar parte de seu tempo livre para fazer cursos à distância tem qualidades de líder. Em alguns países da Europa, onde a EAD têm tradição e qualidade, além de serem constantemente avaliados pelo governo, os profissionais formados dentro dessa modalidade estão entre os mais disputados. Os motivos são simples. Eles se dedicam mais aos estudos, são autônomos, sabem se organizar melhor, resolvem problemas inesperados com mais agilidade e estão em busca de oportunidades para crescer. No Brasil a mentalidade é diferente, muitos veem os cursos à distância como um jeito fácil e prático de obterem diplomas e o empregador reage com preconceito e insegurança.

Para que o EAD no Brasil alcance um padrão de qualidade, é necessário que construamos um modelo pedagógico focado em atender as necessidades da população, que veem no ensino à distância a possibilidade de uma formação educacional e profissional. O uso de tecnologias no ensino tem como objetivo potencializar a universalização e democratização do conhecimento. O EAD possibilita a continuidade da formação educional e profissional do cidadão. Para tanto, o Governo Brasileiro vem fomentando programas de educação à distância, com o financiameto do FNDE-Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Algumas universidades públicas vem adotando esta modalidade. Porém, a implementação das políticas de EAD tem esbarrado em entraves estruturais que vão desde estrutura física tais como: criação de pólos de ensino, a capacitação de professores e modelo pedagógico.

As tecnologias aplicadas a educação também possuem o papel de potencializar o ensino tradicional. O uso do computador em sala de aula é mais que uma mudança na forma de ensino. Ele traz a discussão no contéudo, relação professor x aluno, metódo de avaliação, grade curricular, recursos tecnológicos, etc. Ou seja, criou-se uma nova cultura no ensino, denominda cibercultura. Alguns países reconheceram que o sistema tradicional de ensino não atende as necessidades do mundo contemporâneo. Vários países discutem profundas reformas no sistema educacional. Nosso País precisa rever sua política educacional tais como: investimentos, estrutura, capacitação e salários de professores, modelo pedagógico, avaliação e fiscalização da qualidade e eficácia do ensino, material didático, recursos tecnológicos, etc. Diante de tantos problemas faz-se necessário encontrar uma solução para oferecer um ensino digno à população.

A transição de um modelo que transmite conhecimento para um modelo que constrói conhecimento deve ser pensado e preparado para não tirar do professor a alegria e o prazer de ensinar. O novo modelo pedagógico imposto por tecnologias trouxe consigo mudanças nos hábitos e comportamentos da sociedade. Isso requer posturas e comportamentos no processo de educar/aprender tanto do aluno quanto da equipe pedagógica da instituição.Urge, que encontremos uma metodologia de ensino à distância associada a realidade, necessidade, expectativa e potencialidade do público.

4 comentários:

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  3. EAD para mim é solução, fiz minha graduação na modalidade semipresencial e gostei tanto que faço atualmente pós-graduação totalmene web. O problema é não somente como vc bem colocou: "Se as escolas públicas/privadas de ensino médio e fundamental não desenvolveram a mentalidade nos alunos da importância da autodisciplina e autonomia nos estudos fica difícil exigir aos estudantes adultos universitários esse hábito", mas, também tem gente fazendo faculdade EAD sem ter perfil de aluno EAD, conforme relato, se me permite, no artigo "Você tem perfil de aluno EAD? Faça o teste e descubra" em http://ogestor.eti.br/ead-voce-tem-perfil-de-aluno-de-educacao-a-distancia/ Sugiro que recomende aos seus leitores, caso ache válido.
    Abs.

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  4. Luis,

    Só que muitos optam pelo preço dos cursos EAD e/ou ou nem imaginam qual é o método adotado. As instituições de ensino público e privado deveriam verificar se o aluno tem o perfil, pois aqueles que não tem o perfil comprometem a imagem da instituição. Não acha? Se bem que os cursos de EAD pago quem se preocupa se o aluno tem ou não o perfil. Pagando todos tem perfil. Afinal, vivemos no sistema capitalista...Agradeço pela dica do teste perfil de EAD.
    abraços

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